Poesia Desenrascada
Um espaço onde a poesia não é só sobre temas profundos da humanidade. Descreve um tema num comentário, por mais absurdo que seja, e será transformado em algo belo.
domingo, 6 de julho de 2014
Um poema sobre a letra "a"
Curva figura e símbolo de uma sociedade articulada e vocalmente evoluída, que na sua convencida inteligência propôs materializar a energia sonora no frio papel. Ela, que até nas palavras que escrevo marca pomposamente e frequentemente a sua muito útil presença, é também rainha do alfabeto, sentada no seu trono como deusa criadora do resto da prole consoante e vogal.
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Um poema sobre deixar de ter musa
Com saudade recordo o tempo em que suas belas feições iluminavam e encantavam as profundezas mais sombrias da minha alma, e com a sua voz todo o universo estava à mercê das minhas mãos. Tudo quanto criava, emergia alegremente nesta dimensão como símbolos feitos unicamente para celebrar o seu corpo.
Agora, apenas um mero cinzento e vazio habita nas minhas veias, uma tela branca e puro silêncio no ar. Como foi possível algo tão belo conseguir encher tanto o meu espírito?
Volta para mim, minha musa, pois sem ti a vida não tem cor.
Agora, apenas um mero cinzento e vazio habita nas minhas veias, uma tela branca e puro silêncio no ar. Como foi possível algo tão belo conseguir encher tanto o meu espírito?
Volta para mim, minha musa, pois sem ti a vida não tem cor.
terça-feira, 1 de julho de 2014
Um poema sobre a cor verde
Deleite visual e digno de contemplação, essa tinta que banha a Natureza em toda a sua beleza traz lágrimas aos olhos de quem nela vê um símbolo de vida e de forte esperança. Da mais pequena planta à colossal árvore da floresta, cor alegre e positiva, do certo e bem feito, do caminhar e avançar, do ir e do viver.
Pobres de espírito os que bloqueiam com a sua mente o contraste que é e que paz traz, esta visível marca da intrigante conspiração e incrível consequência do caos Universal.
Pobres de espírito os que bloqueiam com a sua mente o contraste que é e que paz traz, esta visível marca da intrigante conspiração e incrível consequência do caos Universal.
domingo, 29 de junho de 2014
Um poema sobre o que sente a última das inflorescências de um dente de leão, sozinha à espera de também ela ser levada pelo vento
Ao contemplar todos meus irmãos voarem alegremente pelos ventos de este, como pequenos anjos brancos a caminho de um novo paraíso, a hora da derradeira e espiritual viagem está prestes a começar.
Ainda preso pela minha origem e memórias, um sopro mais e também eu seguirei o delicioso chamamento pela minha divina metamorfose, já à bastante tempo desejada em sonhos e esperanças.
Como serei belo, e orgulhoso manterei o meu justo lugar ao sol, para uma vez mais na antiga e esotérica história da grande Mãe, gritar a minha existência ao mundo.
Ainda preso pela minha origem e memórias, um sopro mais e também eu seguirei o delicioso chamamento pela minha divina metamorfose, já à bastante tempo desejada em sonhos e esperanças.
Como serei belo, e orgulhoso manterei o meu justo lugar ao sol, para uma vez mais na antiga e esotérica história da grande Mãe, gritar a minha existência ao mundo.
sábado, 28 de junho de 2014
Um poema sobre dor de dentes
Oh terrível castigo dos deuses, que na sua doce e açucarada tentação impôs a maldição mais insuportável na boca humana, uma que lentamente corrói e destrói e alastra o negro que dói.
Pior ainda a tortura na cura, na viagem a esses curandeiros que vasculham no longe do olhar com assustadoras pequenas armas de metal, tornando medos em fobias.
Mas não vos preocupeis, pois todo o sofrimento é passageiro, tal como o ingénuo e vazio conceito de beleza. Tudo, menos a felicidade num sorriso.
Pior ainda a tortura na cura, na viagem a esses curandeiros que vasculham no longe do olhar com assustadoras pequenas armas de metal, tornando medos em fobias.
Mas não vos preocupeis, pois todo o sofrimento é passageiro, tal como o ingénuo e vazio conceito de beleza. Tudo, menos a felicidade num sorriso.
Um poema sobre uma batata aterrorizada antes de entrar na panela
É o fim.
Diante de mim, o destino inevitável e infernal de água borbulhante ri-se de mim enquanto deliciado me observa em terror, congelado na minha impotência, paralizado na minha insignificância. Seria de esperar que fosse parar a uma maravilhosa salada ou magnífico prato de restaurante sofisticado, para ser apreciado e devorado lentamente a todo o prazer do cliente e sua boca, mas a cruel realidade me levou a enfrentar este monstro de metal e sua ácida saliva.
Memórias de um verde prado assombram-me a mente nesta hora final, como que uma última refeição antes do sono eterno, de minhas almas amigas e nobres vegetais, que contra chuva e sol se ergueram orgulhosamente da terra para, em todo o seu esplendor, marcar a sua presença neste mundo.
Mas agora, o banho e o vazio.
Diante de mim, o destino inevitável e infernal de água borbulhante ri-se de mim enquanto deliciado me observa em terror, congelado na minha impotência, paralizado na minha insignificância. Seria de esperar que fosse parar a uma maravilhosa salada ou magnífico prato de restaurante sofisticado, para ser apreciado e devorado lentamente a todo o prazer do cliente e sua boca, mas a cruel realidade me levou a enfrentar este monstro de metal e sua ácida saliva.
Memórias de um verde prado assombram-me a mente nesta hora final, como que uma última refeição antes do sono eterno, de minhas almas amigas e nobres vegetais, que contra chuva e sol se ergueram orgulhosamente da terra para, em todo o seu esplendor, marcar a sua presença neste mundo.
Mas agora, o banho e o vazio.
Um poema sobre o estado de espírito "meh"
O meu olhar entristece ao ver essas manhãs melancólicas e noites aborrecidas retirar toda a antiga cor do mundo pintado lá fora, desaparecendo num já conhecido cinzento existencial. Caminhando pelas ruas do tédio, um purgatório pessoal e consciente faz-me sobreviver lentamente, ao ver o relógio da minha existência abrandar em neutras expressões e vazias interacções.
Nos extremos da emoção humana se encontra essa raison d'être que tantos falam mas ninguém ousa viver, e é nessa aterradora estrada que arrasto os meus pés, cansado de tudo e de nada.
Nos extremos da emoção humana se encontra essa raison d'être que tantos falam mas ninguém ousa viver, e é nessa aterradora estrada que arrasto os meus pés, cansado de tudo e de nada.
Subscrever:
Comentários (Atom)