Um espaço onde a poesia não é só sobre temas profundos da humanidade. Descreve um tema num comentário, por mais absurdo que seja, e será transformado em algo belo.
domingo, 6 de julho de 2014
Um poema sobre a letra "a"
Curva figura e símbolo de uma sociedade articulada e vocalmente evoluída, que na sua convencida inteligência propôs materializar a energia sonora no frio papel. Ela, que até nas palavras que escrevo marca pomposamente e frequentemente a sua muito útil presença, é também rainha do alfabeto, sentada no seu trono como deusa criadora do resto da prole consoante e vogal.
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Um poema sobre deixar de ter musa
Com saudade recordo o tempo em que suas belas feições iluminavam e encantavam as profundezas mais sombrias da minha alma, e com a sua voz todo o universo estava à mercê das minhas mãos. Tudo quanto criava, emergia alegremente nesta dimensão como símbolos feitos unicamente para celebrar o seu corpo.
Agora, apenas um mero cinzento e vazio habita nas minhas veias, uma tela branca e puro silêncio no ar. Como foi possível algo tão belo conseguir encher tanto o meu espírito?
Volta para mim, minha musa, pois sem ti a vida não tem cor.
Agora, apenas um mero cinzento e vazio habita nas minhas veias, uma tela branca e puro silêncio no ar. Como foi possível algo tão belo conseguir encher tanto o meu espírito?
Volta para mim, minha musa, pois sem ti a vida não tem cor.
terça-feira, 1 de julho de 2014
Um poema sobre a cor verde
Deleite visual e digno de contemplação, essa tinta que banha a Natureza em toda a sua beleza traz lágrimas aos olhos de quem nela vê um símbolo de vida e de forte esperança. Da mais pequena planta à colossal árvore da floresta, cor alegre e positiva, do certo e bem feito, do caminhar e avançar, do ir e do viver.
Pobres de espírito os que bloqueiam com a sua mente o contraste que é e que paz traz, esta visível marca da intrigante conspiração e incrível consequência do caos Universal.
Pobres de espírito os que bloqueiam com a sua mente o contraste que é e que paz traz, esta visível marca da intrigante conspiração e incrível consequência do caos Universal.
domingo, 29 de junho de 2014
Um poema sobre o que sente a última das inflorescências de um dente de leão, sozinha à espera de também ela ser levada pelo vento
Ao contemplar todos meus irmãos voarem alegremente pelos ventos de este, como pequenos anjos brancos a caminho de um novo paraíso, a hora da derradeira e espiritual viagem está prestes a começar.
Ainda preso pela minha origem e memórias, um sopro mais e também eu seguirei o delicioso chamamento pela minha divina metamorfose, já à bastante tempo desejada em sonhos e esperanças.
Como serei belo, e orgulhoso manterei o meu justo lugar ao sol, para uma vez mais na antiga e esotérica história da grande Mãe, gritar a minha existência ao mundo.
Ainda preso pela minha origem e memórias, um sopro mais e também eu seguirei o delicioso chamamento pela minha divina metamorfose, já à bastante tempo desejada em sonhos e esperanças.
Como serei belo, e orgulhoso manterei o meu justo lugar ao sol, para uma vez mais na antiga e esotérica história da grande Mãe, gritar a minha existência ao mundo.
sábado, 28 de junho de 2014
Um poema sobre dor de dentes
Oh terrível castigo dos deuses, que na sua doce e açucarada tentação impôs a maldição mais insuportável na boca humana, uma que lentamente corrói e destrói e alastra o negro que dói.
Pior ainda a tortura na cura, na viagem a esses curandeiros que vasculham no longe do olhar com assustadoras pequenas armas de metal, tornando medos em fobias.
Mas não vos preocupeis, pois todo o sofrimento é passageiro, tal como o ingénuo e vazio conceito de beleza. Tudo, menos a felicidade num sorriso.
Pior ainda a tortura na cura, na viagem a esses curandeiros que vasculham no longe do olhar com assustadoras pequenas armas de metal, tornando medos em fobias.
Mas não vos preocupeis, pois todo o sofrimento é passageiro, tal como o ingénuo e vazio conceito de beleza. Tudo, menos a felicidade num sorriso.
Um poema sobre uma batata aterrorizada antes de entrar na panela
É o fim.
Diante de mim, o destino inevitável e infernal de água borbulhante ri-se de mim enquanto deliciado me observa em terror, congelado na minha impotência, paralizado na minha insignificância. Seria de esperar que fosse parar a uma maravilhosa salada ou magnífico prato de restaurante sofisticado, para ser apreciado e devorado lentamente a todo o prazer do cliente e sua boca, mas a cruel realidade me levou a enfrentar este monstro de metal e sua ácida saliva.
Memórias de um verde prado assombram-me a mente nesta hora final, como que uma última refeição antes do sono eterno, de minhas almas amigas e nobres vegetais, que contra chuva e sol se ergueram orgulhosamente da terra para, em todo o seu esplendor, marcar a sua presença neste mundo.
Mas agora, o banho e o vazio.
Diante de mim, o destino inevitável e infernal de água borbulhante ri-se de mim enquanto deliciado me observa em terror, congelado na minha impotência, paralizado na minha insignificância. Seria de esperar que fosse parar a uma maravilhosa salada ou magnífico prato de restaurante sofisticado, para ser apreciado e devorado lentamente a todo o prazer do cliente e sua boca, mas a cruel realidade me levou a enfrentar este monstro de metal e sua ácida saliva.
Memórias de um verde prado assombram-me a mente nesta hora final, como que uma última refeição antes do sono eterno, de minhas almas amigas e nobres vegetais, que contra chuva e sol se ergueram orgulhosamente da terra para, em todo o seu esplendor, marcar a sua presença neste mundo.
Mas agora, o banho e o vazio.
Um poema sobre o estado de espírito "meh"
O meu olhar entristece ao ver essas manhãs melancólicas e noites aborrecidas retirar toda a antiga cor do mundo pintado lá fora, desaparecendo num já conhecido cinzento existencial. Caminhando pelas ruas do tédio, um purgatório pessoal e consciente faz-me sobreviver lentamente, ao ver o relógio da minha existência abrandar em neutras expressões e vazias interacções.
Nos extremos da emoção humana se encontra essa raison d'être que tantos falam mas ninguém ousa viver, e é nessa aterradora estrada que arrasto os meus pés, cansado de tudo e de nada.
Nos extremos da emoção humana se encontra essa raison d'être que tantos falam mas ninguém ousa viver, e é nessa aterradora estrada que arrasto os meus pés, cansado de tudo e de nada.
Um poema sobre o Mundial
No verde campo de batalha sobre as luzes incandescentes dos holofotes e os gritos louco de milhares de almas ansiosas pelas batalhas prestes a decorrer, numa última moderna e humilde tentativa de combate nacionalista, esses países que atiram as suas tradições atrás de uma bola fazem o pobre esquecer e o triste sorrir por noventa excitantes e minutos.
Confiantes e de trunfo bem a descoberto, marchámos contra o povo que envergonhadamente escreveu o capítulo mais esquizofrénico da nossa história, apenas para no campo de batalha aprendermos uma valiosa lição universal.
Mas neste belo teatro de luzes e marionetas bilionárias se escondem terríveis conspirações e convites à racional anarquia. Lutem então caros espíritos revolucionários, pois a justiça vos pertence.
Confiantes e de trunfo bem a descoberto, marchámos contra o povo que envergonhadamente escreveu o capítulo mais esquizofrénico da nossa história, apenas para no campo de batalha aprendermos uma valiosa lição universal.
Mas neste belo teatro de luzes e marionetas bilionárias se escondem terríveis conspirações e convites à racional anarquia. Lutem então caros espíritos revolucionários, pois a justiça vos pertence.
Um poema sobre salsichas
Nobres cilindros gastronómicos e símbolos de à longos anos de muitos e belos decorados pratos, nesses restaurantes servos da humanidade e na privacidade de um lar bem alimentado. Deliciosamente se preparam e degustam com toda a pompa e circunstância que emanam certamente, contidas e conservadas em todo o seu esplendor nos labirintos angelicais de supermercados.
Mas a sua origem apresenta o reverso obscuro e macabro da saborosa moeda, a essência desse hipotético e irónico Deus criador compactada para nosso prazer, os gritos de dor silenciados nas nossas bocas. Pobres criaturas da Terra, não terá a gula humana limites?
Mas a sua origem apresenta o reverso obscuro e macabro da saborosa moeda, a essência desse hipotético e irónico Deus criador compactada para nosso prazer, os gritos de dor silenciados nas nossas bocas. Pobres criaturas da Terra, não terá a gula humana limites?
Um poema sobre poesia desenrascada
Num mundo cinzento e rotineiro de caminhos já aborrecidamente conhecidos como um perpétuo sonho outrora agradável, o desejo da escrita invade violentamente o coração desses vagabundos intelectuais que tremem ao pensar em expremir os seus medonhos medos e orgasmos espirituais de outra forma que não por confusas palavras.
Não existe horário fixo para a criação que saem dos seus gastos dedos, e apenas o preto no branco os dá algum conforto, ao libertar silenciosamente os gritos acumulados na sua essência para o mundo os tentar abafar e compreender.
Mas em vão, a infinitude dos sentimentos humanos estarão para sempre pintados nos desconhecidos poemas que ninguém irá ler.
Não existe horário fixo para a criação que saem dos seus gastos dedos, e apenas o preto no branco os dá algum conforto, ao libertar silenciosamente os gritos acumulados na sua essência para o mundo os tentar abafar e compreender.
Mas em vão, a infinitude dos sentimentos humanos estarão para sempre pintados nos desconhecidos poemas que ninguém irá ler.
Um poema sobre a horrível sensação de quando acabas um livro e não tens mais nenhum para ler
Oh terrível desespero ao contemplar o fim de uma épica e deliciosa saga, apenas para confrontar o abisso negro e vazio existencial de uma vida sem essas memórias imaginárias e relatos poéticos e sonhadores que tanto alegraram os meus dias. Terá todo um princípio um fim? O tédio e a indecisão aborrecida de nada intelectualmente superior e cerebralmente estimulante à minha cabeçeira, perfura o meu espírito como agulhas literárias de autores desconhecidos.
Mas enfim, as viagens valem pela sua descoberta, e a cada página e frase e palavra dançante no papel, as imagens surrealistas que se foram formando durante tais aventuras mentais, eu não as trocava por nada deste mundo nem do outro.
Mas enfim, as viagens valem pela sua descoberta, e a cada página e frase e palavra dançante no papel, as imagens surrealistas que se foram formando durante tais aventuras mentais, eu não as trocava por nada deste mundo nem do outro.
Um poema sobre o número 3
Simples ciência matemática ou representação metafísica, o número perfeito adoptado em filosofias e teologias une o impossível pai ao mortal filho e espiritual presença, o palpitante coração à confusa mente e frágil corpo, e define tão poeticamente as horas que fogem de cada vida humana, a de feliz ingenuidade, de confiante acção, e de inevitável aceitação.
Um poema sobre ॐ (OM)
Símbolo místico proveniente do espiritual oriente, a simples e poderosa sílaba cujas vibrações libertaram consciências e abriram corações durante gerações sedentas de sabedoria, entrou no livro da imaginação humana como digno exemplo da sua mortalidade e insaciante vontade de racionalizar o mundo visível à sua volta.
A energia verbalizada que nos antigos textos ensina o poder escondido nas palavras, mostra-nos a beleza e a divina capacidade criadora de uma simples conversa entre espíritos, essa prenda que tão ingénuamente neglenciamos.
Fecha então os olhos, e canta na língua dos deuses, mas a Iluminação virá a um preço.
A energia verbalizada que nos antigos textos ensina o poder escondido nas palavras, mostra-nos a beleza e a divina capacidade criadora de uma simples conversa entre espíritos, essa prenda que tão ingénuamente neglenciamos.
Fecha então os olhos, e canta na língua dos deuses, mas a Iluminação virá a um preço.
Um poema que transmita a ideia de som
Uma manhã madrugadora de milhões e milhões de ilusões e ilustrações mentais que partem e repartem os rios recorrentes da minha mágoa memória, mata e mostra a maneira de ser e de ver o mundo mágico que cai e cresce constantemente no caminho da vida violada violentamente por vis e vorazes ventos de mudança e de medos mortais.
Ter então toda uma experiência matinal de semi-consciência mental apazigua os piores pensamentos positivamente por momentos, até a próxima prova do universo se mostrar aqui em verso.
Ter então toda uma experiência matinal de semi-consciência mental apazigua os piores pensamentos positivamente por momentos, até a próxima prova do universo se mostrar aqui em verso.
Um poema com o tema "roubei-te um sorriso"
Na imensidão do céu
estrelado por cima das nossas ingénuas cabeças, os teus olhos tristes
abriram-se na noite como dois perfeitos cristais na longa e profunda caverna da
tua alma, que cavaste e te cavaram ao longo dos anos, mostrando, qual flor
sedenta por um raio de luz, um grito angelical por algo mais.
Devagar me aproximei, não querendo afugentar tal inocente e solitária criatura, e corajosamente levei a sua delicada mão de encontro à minha face.
Também eu humano, grito silenciosamente com ela na mais bela das canções alguma vez concebida, a que o universo acompanha alegremente na sua infinita presença para juntar estes dois espíritos distantes um pouco mais próximos.
Bastou um sorriso teu para saber.
Bastou um sorriso para te amar.
Devagar me aproximei, não querendo afugentar tal inocente e solitária criatura, e corajosamente levei a sua delicada mão de encontro à minha face.
Também eu humano, grito silenciosamente com ela na mais bela das canções alguma vez concebida, a que o universo acompanha alegremente na sua infinita presença para juntar estes dois espíritos distantes um pouco mais próximos.
Bastou um sorriso teu para saber.
Bastou um sorriso para te amar.
Um poema sobre o nada
Absoluto e infinito, a
expressão total do nosso universo consciente que se esconde na ilusão material
e sólida à nossa volta, a ironia de um Deus criador, a morte feliz de um
mortal, mas também a vastidão imaginária das nossas mentes, os sonhos que não
sonhámos, e as palavras que ficaram por dizer.
Os olhos fecham, mas a alma vê, por entre essa inexistência existente da qual tentamos decifrar, e nela retirar sentidos subconscientes que nada são mais do que verdades universais que desesperadamente tentamos evitar.
Abraça-o, e deixa-te envolver nele. Talvez encontres mais do que aquilo que inicialmente procurávas.
Os olhos fecham, mas a alma vê, por entre essa inexistência existente da qual tentamos decifrar, e nela retirar sentidos subconscientes que nada são mais do que verdades universais que desesperadamente tentamos evitar.
Abraça-o, e deixa-te envolver nele. Talvez encontres mais do que aquilo que inicialmente procurávas.
Um poema sobre sogras boazinhas
Que alegria e êxtase ver, num mundo de
enraizados clichés e fúteis concepções da psicologia comportamental humana,
exemplos de compaixão divinal e pura para com o estranho e desconhecido,
símbolos dignos de adoração espiritual e intelectual, Budas na Terra.
Elas, que alegram e deixam-se alegrar nesses mergulhos existenciais de perfeita confiança no outro, e, no fim de contas, nelas mesmas.
Para quê odiar a razão e ícone de felicidade daquilo que nem sequer nos pertence?
Mais vale um coração amante que dois empobrecidos de compaixão.
Elas, que alegram e deixam-se alegrar nesses mergulhos existenciais de perfeita confiança no outro, e, no fim de contas, nelas mesmas.
Para quê odiar a razão e ícone de felicidade daquilo que nem sequer nos pertence?
Mais vale um coração amante que dois empobrecidos de compaixão.
Um poema sobre ombreiras de portas
Criadas nos recantos mais
imaginativos e lógicos da mente humana, qual símbolo da perfeição e
racionalidade estética e arquitectónica, são belas e requintadas esses portais
que enfeitam a passagem entre realidades ilusórias, e medonhas aos olhos e
mentes mais abertas, amantes da união de espaçoes e singularidades
existenciais.
Mas eu digo, que na divisão se encontra a coerência, e nada melhor para separar o singular do colectivo que esses multi-facetados frontões, que juntamente com a devida porta, conseguem isolar o medo num só, e convidar o mundo e o silêncio a entrarem.
Mas eu digo, que na divisão se encontra a coerência, e nada melhor para separar o singular do colectivo que esses multi-facetados frontões, que juntamente com a devida porta, conseguem isolar o medo num só, e convidar o mundo e o silêncio a entrarem.
Um poema sobre relva emo que se corta sozinha
Triste e degradante
vivência debaixo de céus negros me encontro, para sempre condenado a pisar e a
ser pisado na terra fria de um jardim negligenciado. Dia e noite o verde de meu
corpo desenvolve para sempre a sua essência, ascendendo às nuvens melancólicas
de uma existência só.
Apenas a maldição voluntária e prazer masoquista de um flagelo e mero ceifar do meu ser me faz continuar a respirar o mesmo ar pútrido daqueles que me abandonaram neste lugar.
Imortal? Sonho que não, mas um dia deixarei então o meu espírito crescer eternamente, para no mundo tentar mostrar quem sou, ou morrer triturado por máquinas de Homem.
Apenas a maldição voluntária e prazer masoquista de um flagelo e mero ceifar do meu ser me faz continuar a respirar o mesmo ar pútrido daqueles que me abandonaram neste lugar.
Imortal? Sonho que não, mas um dia deixarei então o meu espírito crescer eternamente, para no mundo tentar mostrar quem sou, ou morrer triturado por máquinas de Homem.
Um poema sobre poesia aleatória
É na arte de suspirar palavras para o ar frio do mundo, que o
caos resultante dessa entropia literária confunde a mente humana em labirintos
desesperantes e existenciais, e o poeta vomita alegremente as suas memórias
para o papel, enquanto queima a tinta da sua alma e caneta.
Podem os auto-intitulados génios da língua tentar ignorantemente decifrar o código e o cadeado inquebrável do consciente para lá das letras, mas nesse deserto rico e surreal, sempre se perdem por caminhos escuros, lutando por um sinal de luz.
Podem os auto-intitulados génios da língua tentar ignorantemente decifrar o código e o cadeado inquebrável do consciente para lá das letras, mas nesse deserto rico e surreal, sempre se perdem por caminhos escuros, lutando por um sinal de luz.
Um poema sobre as nano-partículas sub-atômicas presentes num sabonete azul e branco
Dentro deste simples mas fantástico objecto digno de louvor e
euforia higiénica, esta bandeira e estandarte perfumado e estéril, que torna o
desespero na esperança e o asqueroso no bem-cheiroso, escondem-se agregadamente
e em orgias azuis e brancas o que torna esta antiga pedra filosofal naquilo que representa e que, passada entre longínquas
gerações, elevou o patamar da limpeza a um estatuto de rei supremo, soberano
supremo, ditador inquestionável. Lado a lado, essas mágicas e minúsculas
partículas fazem em segundos o que meros mortais nunca chegaram a alcançar.Como é bom o ter e o amar, e o que éramos nós, ou
pelo menos nossos avós, sem ele.
Um poema sobre fraldas de bebés
A inocência prematura e inconsciente de um ser humano em
desenvolvimento traz ao mundo o símbolo de pureza procurado por tantos numa
simples criatura, que barulhenta avisa qual alarme de incêndios para a tragédia
mal-cheirosa que muitos desesperam por evitar.
Abençoadas são as nossas voadoras cabeças, que na sua imaginação trouxeram a tal inconveniente problema de noites mal dormidas, esse belo e branco e útil vestuário que tão silenciosamente apaga qualquer mágoa expelida, e deixa repousar esses pais tranquilamente nos seus sonhos mudos e absorventes.
Abençoadas são as nossas voadoras cabeças, que na sua imaginação trouxeram a tal inconveniente problema de noites mal dormidas, esse belo e branco e útil vestuário que tão silenciosamente apaga qualquer mágoa expelida, e deixa repousar esses pais tranquilamente nos seus sonhos mudos e absorventes.
Um poema sobre um número no meio de cem
Queria ser algo mais, algo importante, algo relevante, algo
usado e abusado e mostrado infinitavemente mais vezes do que agora. Mas as
tristes medianas evidências mostram-me o vazio existencial de uma pertença
soterrada por baixo e por cima, sendo apenas mais um pelo caminho. Mas eles
sabem... Sabem que sem a minha ordinária existência o mundo cairía por terra,
caos e desordem, anarquia total.
No meio está a virtude dizem. Antes lunático sonhador que depressivo realista.
No meio está a virtude dizem. Antes lunático sonhador que depressivo realista.
Um poema sobre um olho fechado
Nos sempre presentes contrastes gerados pelo Universo de
preto e branco, e as belas simétricas dualidades unidas num só propósito, tal
representante da pobre raça Humana demonstra ao mundo a falha na ordem
matemática da natureza, demonstrando a pureza na imperfeição.
Mas enquanto o resto se glorifica a olhar constantemente para a realidade exterior, este ser mantém um desses canais sobrenaturais decifradores de código de DNA em cores e danças virado para o seu próprio espírito, interiorizando o exteriorizado e exteriorizando o interiorizado, acordado e a dormir, consciente e inconsciente. Vivo e Morto.
Mas enquanto o resto se glorifica a olhar constantemente para a realidade exterior, este ser mantém um desses canais sobrenaturais decifradores de código de DNA em cores e danças virado para o seu próprio espírito, interiorizando o exteriorizado e exteriorizando o interiorizado, acordado e a dormir, consciente e inconsciente. Vivo e Morto.
Um poema sobre uma flor no Inverno
No meio do branco pintado pelos míticos espíritos frios que
caem alegremente dos céus cinzentos, o mágico Inverno guarda em segredo o que
no calor da Primavera virá trazer vida à tela paisagística de infinitas e inexplicáveis
cores. Simples e solitariamente pura, nela reside o guru mudo e em Nirvana que
ensina a todo o que na sua inútil rotina decide lentamente observar, uma lição
de esperança no doente mundo que nos rodeia, lembrando que uma existência
complexa não dá asas a inconscientes felicidades.
Um poema sobre melancolia
Frio e
quente, um sentimento estranho e paradisíaco que nos leva a vasculhar nos baús
perdidos enferrujados e poeirentos de um passado bem presente que passou,
levando a histórias surreais do Eu numa autobiografia compilada e declamada
alegremente e sempre pronta em qualquer conversa de rua.
Basta uma
simples melodia, um cheiro único, uma semelhança repetida não aleatoriamente no
tempo, para despoletar tais halucinações mentais queridas e guardadas no que
para sempre definirá a presença momentânea na realidade que vivemos,
alterando-a de modo incompreensível.
Um poema com palavras muito simples, sobre o cheirinho a terra molhada, que vem com as primeiras chuvas e sobre o som da água que as acompanha
Antecipando a felicidade que vem nesses dias cinzentos, mas cheios de
nostalgia, o simples prazer de um passeio traz essas pequenas perfeições
sensoriais que me fazem abrir o coração ao mundo. Banhada em águas do passado é baptizada
a terra que piso, o seu perfume trazendo memórias de divertidas ingenuidades.
Melhor que isso, apenas a doce canção de embalar da água a cair lá fora, que me leva tão suavemente a belos e longos sonhos, e cria o ambiente perfeito para qualquer artista músico ou escritor viajar pelo mundo da inspiração.
Melhor que isso, apenas a doce canção de embalar da água a cair lá fora, que me leva tão suavemente a belos e longos sonhos, e cria o ambiente perfeito para qualquer artista músico ou escritor viajar pelo mundo da inspiração.
Um poema sobre ventoinhas
Na sua majestosa criação em metal frio que arrefece os
corações em chamas, és mago sacerdotisa na tua transmutação invisível dos
poderes devastadores dessa Mãe Natureza imperdoável, sendo discípulo fiel e
mecanizado escravo em tempos de Verão. Com os teus abraços me envolves
rodopiante no teu dançar de arrepios inevitáveis na espinha, e num movimento
perfeito o suor congelas e as lágrimas deixas escorrer.
Um poema sobre eczema
Qual maldição misteriosa gravada nas vestes humanas
mais condicionadas ao afecto corrosivo das tempestades sazonais e distópicas do
dia-a-dia, vens assim tão alegremente sujar o puro que gerações criaram na sua
perfeição cor de pele.
Montanhas vermelhas erguem-se para o exterior não
contido da epiderme prendida e maltratada, que com banhos lavados e
repetitivos, ritualísticos sem questionar, a luta impossível contra a cicatriz
que por nada deste mundo se quer esconder.
Um poema sobre um sítio onde não se distingue onde acaba a vida e começa a morte
O sombrio e desconhecido acordar eterno de uma vida longa e
fugidia faz o medo tumoroso nos cérebros desses abençoados mortais, cujo
mistério da noite eterna assombra a veia filosófica de todos os que ousam
velejar por esses mares não marcados no mapa da consciência.
Mas não te assustes, pois a transcendência da alma quente e viva torna-se orgásmicamente na surreal viagem que muitos desejam conhecer, e com a última inspiração os fractais inexistentes à retina humana saiem do esconderijo ilusório do universo para te levar. Divino Psicadélico.
E com os pés no limite inexistente do abisso paradoxal que se confunde com o céu, o Homem realmente e finalmente em Homem se torna.
Mas não te assustes, pois a transcendência da alma quente e viva torna-se orgásmicamente na surreal viagem que muitos desejam conhecer, e com a última inspiração os fractais inexistentes à retina humana saiem do esconderijo ilusório do universo para te levar. Divino Psicadélico.
E com os pés no limite inexistente do abisso paradoxal que se confunde com o céu, o Homem realmente e finalmente em Homem se torna.
Um poema sobre birras
Gritos inconsistentes ecoam no vazio de uma mente
cansada, esperando ansiosamente o doce silêncio que provém de um espírito calmo
e sensato. Mas não, uma infância na luxúria banhada em ouro de carícias e
platina de atenção torna os egos mais obesos em puros holofotes de barulho
ensurdecedor, picando os tímpanos de egocentrismos há muito treinados na arte
da incompreensão, e tentativas de poder primitivo nas cabeças santas dos
outros.
Um poema sobre a FCUL
Nos confins escondidos desprezados e confundidos de uma
Europa claustrofóbica, orgulhosa na sua rebeldia perante as irmãs mais velhas
do conhecimento no centro da grande praia mundial ergue-se essa fénix da
sabedoria, renascida das cinzas num azul académico e humilde, que do seu
intemporal amor dá ao universo os deuses do amanhã que irão salvar a
humanidade de si próprio.
Pais estudiosos da Vida, Filhos aventureiros da Curiosidade, Mães sedentas de Ideias. A grande e perpétua família que de uma realidade felizmente incompreendida faz desses belos porquê's a evolução da consciência humana, escrita e re-escrita na viagem à iluminação naturalista e compreensão absoluta da alma.
Pais estudiosos da Vida, Filhos aventureiros da Curiosidade, Mães sedentas de Ideias. A grande e perpétua família que de uma realidade felizmente incompreendida faz desses belos porquê's a evolução da consciência humana, escrita e re-escrita na viagem à iluminação naturalista e compreensão absoluta da alma.
Um poema sobre mediocridade,
Pobres os deambulantes cinzentos na estrada destruída das 24
horas, que lentamente arrastam os seus cansados braços pelas ruas da depressão
inconsciente e do álcool saudável e das drogas da realidade, sem despertarem do
seu sono acordado e desvendarem a janela sem vidros do exterior palpável,
pintado a cores psicadélicas e a músicas burlescas
e a toques de paixão, que compõem a essência de um viver com significado.
Tristes os infiéis à sua alma, que a traiem vezes sem conta em fornicações escolhidas a medo nos novos capítulos das suas biografias, futuro lixo literário, exemplo perfeito nos livros de psicologia.
A felicidade é alcançada sim pelos que em espírito revolucionário divergem do caminho sobrelotado sempre imposto pelo alheio, e optam por se aventurar corajosamente em estradas desenhadas a fresco cheiro de memórias felizes e momentos fotografados para todo o sempre. Liberdade absoluta do ser.
Tristes os infiéis à sua alma, que a traiem vezes sem conta em fornicações escolhidas a medo nos novos capítulos das suas biografias, futuro lixo literário, exemplo perfeito nos livros de psicologia.
A felicidade é alcançada sim pelos que em espírito revolucionário divergem do caminho sobrelotado sempre imposto pelo alheio, e optam por se aventurar corajosamente em estradas desenhadas a fresco cheiro de memórias felizes e momentos fotografados para todo o sempre. Liberdade absoluta do ser.
Um poema sobre um singelo piano enferrujado
A dança esquizofrénica de dedos pulantes em harmonia
apaixonada pelo preto e branco foi outrora obra-prima de palco auditivo, quando
o experiente e o amador quebravam as barreiras do silêncio ao projectar da
quarta dimensão a sinfonia da mente humana nos ouvidos carentes de algo mais. E
as palmas que alegremente ensurdeciam e as luzes que divinalmente iluminavam
foram outrora a raison d'être deste simples e megalómano objecto que insiste em
perdurar pelos tempos musicais da criação humana.
Agora, já toda a peça sentimental sentida, apenas o túmulo de um portal transcendentalmente puro permanece, mudo e completo.
Agora, já toda a peça sentimental sentida, apenas o túmulo de um portal transcendentalmente puro permanece, mudo e completo.
Um poema sobre gatinhos fofos
Felina ternura, doce loucura, criaturas do universo que os
gentis titãs do passado permitiram ao velho do tempo deixar alcançar a
companhia humana, e através da sua manisfetação corpórea deixar a mão nervosa
de homo sapiens alcançar o Nirvana dos sentidos, e dos seus bigodes de profeta
fazer ver a luz da eternidade aos olhos raivosos da tendinite
hipócrita e vingativa que é o suposto crânio evoluido.
E numa panóplia de miaus é assim transmitido em língua perdida a essência simples do ser, falhada anteriormente nas desesperadas tentativas dos santos, esses loucos que julgaram falar ao Homem na sua voz ferrugenta, e acabaram crucificados no monte.
Dai-me pequeno e peludo e orelhas e bigodes e cauda comprida e ronronares terapêuticos, e conhecerei o paraíso.
E numa panóplia de miaus é assim transmitido em língua perdida a essência simples do ser, falhada anteriormente nas desesperadas tentativas dos santos, esses loucos que julgaram falar ao Homem na sua voz ferrugenta, e acabaram crucificados no monte.
Dai-me pequeno e peludo e orelhas e bigodes e cauda comprida e ronronares terapêuticos, e conhecerei o paraíso.
Um poema sobre "fanpeople"
Na procura não descriminante daquele centro perfeito e alheio
à sociedade dita correcta nas suas gravatas e calças de ganga, vem a revolução
moral dos que, perdidos nos seus poemas e letras de música branca jamais a ser
compreendida pelo castanho, encontram a paz guardada em caixas de pó de
estrelas, embelezadas na sua glória e semelhança ao próximo.
Pobres criaturas que as memórias e traumas embelezados geraram na sua simplicidade, que encontram e veneram e rogam aleluias aos que do outro lado do ecrã conseguem compreender os labirintos do Eu, essa personificação do passado e consciencialização do exterior estranho, e ainda a interiorização do sonho perfeito.
Pobres criaturas que as memórias e traumas embelezados geraram na sua simplicidade, que encontram e veneram e rogam aleluias aos que do outro lado do ecrã conseguem compreender os labirintos do Eu, essa personificação do passado e consciencialização do exterior estranho, e ainda a interiorização do sonho perfeito.
Um poema sobre Sísifo
Das páginas amarelas e desgastadas pelo tempo nas biliotecas
filosóficas da imaginação humana, vem o trágico relato dessa besta de Homem,
adorada renegada e escondida no quotidiano moderno do cidadão obedientemente
são.
Tu, que até à destruição prematura da beleza de ferro fostes condenado a perpetuar metaforicamente os confins da psicologia dos meus e teus e nossos vícios inconscientes, essas pedras que esmagam os corações na montanha negra de mais um dia que passa na vã procura e repetição do inalcançável, do céu na terra, da flor no deserto.
Lentamente carrega o seu para sempre presente passado nos seus arrependidos braços, chorando lágrimas de "Se"s e esperanças de erupções revolucionárias ao mundano, e ainda gritando palavras dementes e esquizofrénicas aos ouvidos dos deuses, juízes da alma sentados no centro da nossa consciência, alegres e amnésicos na sua inteligência.
Tu, que até à destruição prematura da beleza de ferro fostes condenado a perpetuar metaforicamente os confins da psicologia dos meus e teus e nossos vícios inconscientes, essas pedras que esmagam os corações na montanha negra de mais um dia que passa na vã procura e repetição do inalcançável, do céu na terra, da flor no deserto.
Lentamente carrega o seu para sempre presente passado nos seus arrependidos braços, chorando lágrimas de "Se"s e esperanças de erupções revolucionárias ao mundano, e ainda gritando palavras dementes e esquizofrénicas aos ouvidos dos deuses, juízes da alma sentados no centro da nossa consciência, alegres e amnésicos na sua inteligência.
Um poema sobre a cara que as pessoas fazem quando espirram
Num segundo deitado por terras contra-nariz e manchado em
lenços vermelhos de dor repetitiva e barulhenta, o simples acto de expulsão
rápida e eficaz que, de toda a panóplia de gestos humanos, o mais violento sem
dúvida, desse prazer instantâneo vem o horror contorcido gerado da guerra lenta
entre rugas longas e rugas curtas na testa aflita e na boca solta.
E na antecipação desse momento fatal caricaturado em expressões animalescas, o simples desviar de corpo apenas protege a alma de uma das maldições. O olhar esse, é a espada que mais corta.
E na antecipação desse momento fatal caricaturado em expressões animalescas, o simples desviar de corpo apenas protege a alma de uma das maldições. O olhar esse, é a espada que mais corta.
Um poema sobre um poema que não gosta de ser um poema
Gostaria eu de divulgar essas palavras antigas e derretidas
pelas páginas da história mental dos visionários, esses que na impossibilidade
de rasgar o inconsciente da sombra que os segue imortalmente, desesperadamente
felizes esmagam os teclados e gastam a tinta da caneta do ser na ânsia de um
compilar de letras, para numa última tentativa humana conseguirem alcançar o céu
da consciência, ou o inferno da incompreensão.
Não, não serei tal escravo de doença psico e espirito-ilusório, não serei a voz corrompida e desagastada dos mudos literários e os poetas drogados de sonhos que criam fábulas credíveis e incompreensíveis.
Não serei ouro e platina ou ferro marcado a chamas nos pequenos livros escondidos na biblioteca universal, esses guardanapos de rimas a que os deuses imoralmente limpam as suas bocas face à emoção humana.
Não, a pureza não habita este lugar. Antes morrer que escravo do passado.
Não, não serei tal escravo de doença psico e espirito-ilusório, não serei a voz corrompida e desagastada dos mudos literários e os poetas drogados de sonhos que criam fábulas credíveis e incompreensíveis.
Não serei ouro e platina ou ferro marcado a chamas nos pequenos livros escondidos na biblioteca universal, esses guardanapos de rimas a que os deuses imoralmente limpam as suas bocas face à emoção humana.
Não, a pureza não habita este lugar. Antes morrer que escravo do passado.
Um poema sobre roer as unhas
No centro carnal de um quotidiano canibalista e imoral onde a
luta incessante injusta e inplacável entre forte e fraco nas escadas
internacionais do poder individual, este é a bíblia amazónica dos que procuram
satisfação virtual no acto de auto-consumo. Filho íntimo do stress infernal que
vem nu nos dias de calor e frio, nos elevadores e nas longas filas que fazem
esperar e desesperar o mais frágil de mãos e o mais medricas de unha.
Uma quadra em pentâmetro iambico sobre o nada
Morte, vista de cego banido.
Branco louco e frio tão longe.
Vestes o povo que justo caíu,
E sem mentiras crias tudo surdo.
Branco louco e frio tão longe.
Vestes o povo que justo caíu,
E sem mentiras crias tudo surdo.
Um poema sobre ovos podres, um telefone estragado, uma prostituta e um camarão tigre assado
Os últimos minutos no relógio avançam mais lentamente que os seus pais,
e a última refeição oferecida generosamente pela própria amostra de Homem que a
fez e a moldou numa servidora da tentação e aliviante da tortura na mente
masculina, na forma de um mísero camarão assado para lá da sua matéria orgânica
e caricaturas de ovos, já inúteis e sem propósito, servem como companheiros
fieis nestes momentos que parecem não querer desaparecer. O telefone está caído
e a chorar, pois ninguém se preocupa com ninguém. Pelo menos por agora.
Um poema sobre sem-abrigos
A eternidade vos pertence, a vós os renegados pelas gravatas
e donos do papel verde que define e comanda tudo e todos, os que na mal
ensinada auto-estrada de uma vivência com o pé repousado no acelerador sofreram
o fatal golpe do destino que os levou a caminhar sós pelo deserto urbano de
papéis e lixo caro, os que se apresentam ao mundo sem vergonha nas suas roupas de outrora, esticando a sua suja
mão e o seu anorético coração pedindo a sua salvação a todo o auto-intitulado
Santo moderno útil e pré-apocalíptico.
Não chorais homens do amanhã, pois quem rasteja pelo chão encontra mais facilmente as sementes que darão árvore majestosa erguente aos céus, que o rompe e faz ver a verdadeira natureza do ser.~
Não chorais homens do amanhã, pois quem rasteja pelo chão encontra mais facilmente as sementes que darão árvore majestosa erguente aos céus, que o rompe e faz ver a verdadeira natureza do ser.~
Um poema sobre pratos partidos
Chegado à tranquilidade da minha prisão temporária após um
dia repleto de sonhos despedaçados, a esperança de um instante no tempo banhado
num nirvana de sabores é-me atirada a cara com a visão súbita e horrível de um
chão em caos, repleto de fragmentos cortantes que cortam os pés que caminham e
choram sobre eles.
Poderia talvez lançar ao chão o peso mais suscetível a
sofrer a lei da gravidade, mas a mim, uma viagem única à maternidade do
necessário, os supermercados, e tudo será como era.
Um poema sobre crepes de Nutella
Preto sobre o branco, doce sabor dos céus, guerreiro
implacável dos pratos e tradições de salgado.
Tu que inspiras-te a língua
internacional de dentro dos crânios stressados a sair do seu covil e deixar-se
mergulhar no redondo empilhado e na lava gustativa e enlatada que não queima,
mas dá asas a momentos recordados em que um vazio pós-refeição é preenchido.
Eles trazem a nova enciclopédia do paladar, juntado com tudo e todos a alegria
de mastigar e repetir, mastigar e repetir.. saborear e por fim, engolir.
Um poema sobre Charles Manson
Filho do Homem empresarial e revolucionário das massas
rotineiras que tentam definir a verdade universal sobre o sentido do viver,
vieste atirar aos poços de suicídio imaginativo uma luz negra que queima os
tijolos do monumento erguido pelos deuses da moral, e que em segundos e para a
eternidade definiste o ícone simbólico do anti-humano e do anti-espiritual e do
anti-pátria e do anti-vizinho e mais do que tudo do anti-irmão.
Que alegremente
na tua barba marcaste em cicatriz de fogo essa testa iluminada de ideias de
guerra à cultura e respondes-te ao psicólogo com provocações e gritas-te ao
mundo numa língua não morta, mas presa pelos recantos mais infelizmente pobres
do cérebro moderno.
Um poema sobre cotonetes
Oh divino instrumento e salvador destruidor do silêncio, que inventado
fostes pelos que tristes vagueavam por esses centros barulhentos de cidade
moderna e luminosa, sonora e caoticamente belo, sem poder receber na totalidade
toda a música criada e perpetuada pelos clangs e brrrs e tudo mais.
Vieste salvar-nos de uma pauta vazia nas nossas mentes, repletas de pausas de mínima breve e semibreve que se sobrepõem na orquestra que somos, actuando para sempre no concerto que é a rotina consciente.
Vieste salvar-nos de uma pauta vazia nas nossas mentes, repletas de pausas de mínima breve e semibreve que se sobrepõem na orquestra que somos, actuando para sempre no concerto que é a rotina consciente.
Um poema sobre a tristeza dentro da beleza
A ilusão de um sorriso passageiro e quente que todo o
caminhante de rua paga os seus sapatos para ver, alimenta os corações vazios de
uma esperança futura incerta mas táctil na espera pela semelhança pré-concebida
no pensamento desejado e na ideia mastigada e guardada em caixas de vidro
diamantino.
Mas também esses, flores humanas que caminham nas suas pétalas e abandonam-as nas caras desses lobos sedentos de ego, tudo vêm sem cheirar, e saboreiam sem apreciar. Esses, que nos seus olhos semi-cerrados convidam almas a decorar a sua mente, mas sem desarrumar a sua essência, uma que sendo apenas aplaudida pela pele, dá ao coração liberdade para viajar nos oceanos abandonados e sujos da incompreensão.
Mas também esses, flores humanas que caminham nas suas pétalas e abandonam-as nas caras desses lobos sedentos de ego, tudo vêm sem cheirar, e saboreiam sem apreciar. Esses, que nos seus olhos semi-cerrados convidam almas a decorar a sua mente, mas sem desarrumar a sua essência, uma que sendo apenas aplaudida pela pele, dá ao coração liberdade para viajar nos oceanos abandonados e sujos da incompreensão.
Um poema sobre água
De um azul surreal e textura sedosa, como um belo vestido de
mulher misteriosa adormecida e a sonhar, a sua força tanto dá vida consciente
ao deserto morto como cor ao jardim abandonado, e nos faz desejar por ela, e
nos faz desejar ser envolvidos por ela.
Ela, que em movimentos dançantes e
suaves veste o mundo frio com a sua essência pura, uma que alegremente brota do
chão e ceremonialmente cai dos céus.
Em ti habitamos, e de ti somos Homem, e
por ti vivo. Força que dá. Força que tira. Céu e Inferno.
Tudo.
Tudo.
Um poema sobre evolução
Lentamente, a beleza de um mecanismo imperfeitamente perfeito
que de uma força não-força faz o pequeno tornar-se grande, faz ver ao mundo a
ilusão real de que a essência viva é feita, sugerindo inúmeros pontos de
interrogação nos textos catedráticos e filosofias biológicas de uma Terra ainda
por descobrir.
Na luz do Universo, nós os vivos fomos, somos e vamos ser,
iguais e também diferentes, na espiral tri-dimensional que o tempo envolve na
nossa carne e na nossa consciência.
Um poema sobre a opressão
Quis ver o mundo através do espelho opaco e das ilusões
impostas pelas caixas electrónicas de imagens de horror que apenas mostram o
que inconscientemente pensam ser o correctamente visto e aprendido, mas
deparei-me apenas com mais barras de ferro e balas de fome que penetram o corpo
frágil dos sem culpa filhos do Homem e da publicidade enganosa.
Dá-lhes o céu e não o escuro vazio dos corredores
doentios do que para uns é, e para outros devia de ser, pois só assim, tanto as
correntes exteriores como as interiores que prendem a imaginação dada
livremente à humanidade, serão finalmente quebradas.
Irmão, Pai, Filho, não
tenhas medo, sai à rua e dorme tranquilo, que o futuro te pertence.
Um poema sobre mãos
Em ti confio, e em ti sou. Manípulos da realidade, que me
fazem chorar por dentro e por fora em toques leves passageiros e por vezes
inesperados em metros e elevada aos céus em orgasmos do presente e sentidas em
escapadas românticas com a metade que nos faz completos.
De cinco a cinco foi e
é tudo o que existe, da pintura exibida à música abraçada e à letra arranhada e
também à conversa massajada, em danças esquecidas e intervalos no relógio que
estão gravadas não só na memória, como na palma que é tua e minha, e nos faz
tocar e ser tocados nas faces molhadas um do outro.
Um poema sobre o infinito da escuridão
Silêncio visual, vazio do céu, e metáfora humana de escritores e
filósofos que escrevem e sentem o mesmo, na sua procura indeterminada de loucos
velhos e dementes, dessa luz longínqua que ilumina e deixa-se iluminar pela
vela que é a sabedoria humana.
Quem olha para o abisso, quem conversa com o abisso, quem se atira para o abisso que se rompe aos pés de hormonas e sinapses, psicologias e sociologias, religiões e política, e todo o pesadelo perfeito que foi construído e destruído pela mão humana, não sabe que também ele, é o mesmo abisso que tanto amou.
Quem olha para o abisso, quem conversa com o abisso, quem se atira para o abisso que se rompe aos pés de hormonas e sinapses, psicologias e sociologias, religiões e política, e todo o pesadelo perfeito que foi construído e destruído pela mão humana, não sabe que também ele, é o mesmo abisso que tanto amou.
Um poema sobre um casal gay
Na revolta por uma sociedade que, nas suas enormes e
manipuladoras mãos controla a balança da lei moral e guarda em segredo o
controlo escondido e subliminar dos cérebros mais vulneráveis, duas criaturas
da Natureza lutam contra a mansão erguida pelos supostos defensores da
humanidade, tentando cortar as barras que prendem os seus olhos à parede da
gruta, observando sombras até à eternidade.
Sozinhos, juntos, mártires vivos da revolução moderna.
Sozinhos, juntos, mártires vivos da revolução moderna.
Um poema sobre estrias
Feio na sua beleza, e belo na sua história.
O que seria de um corpo, orgânico e efémero, sem as marcas visíveis de um passado em luta contra a máquina por onde o pequeno e egocêntrico homem universal opera, por detrás dos nossos olhos e entre os nossos ouvidos.
Outros, que felizes por terem cumprido o seu dever natural comportamental e espiritual, dividindo-se num outro que é e será, exibem serenamente o que de dois e em nove, fez um.
Podera a perfeição habitar na caixa de pele por onde tocamos o mundo, mas caso fosse, não seria de certo a mesma coisa.
O que seria de um corpo, orgânico e efémero, sem as marcas visíveis de um passado em luta contra a máquina por onde o pequeno e egocêntrico homem universal opera, por detrás dos nossos olhos e entre os nossos ouvidos.
Outros, que felizes por terem cumprido o seu dever natural comportamental e espiritual, dividindo-se num outro que é e será, exibem serenamente o que de dois e em nove, fez um.
Podera a perfeição habitar na caixa de pele por onde tocamos o mundo, mas caso fosse, não seria de certo a mesma coisa.
Um poema sobre a beleza que se encontra em algo profundamente horrível
Caminhei por estradas de cuspo negro e pútrido de vermelho
vingativo sem olhar para trás,
Vivi o mundo queimado, a arder das e nas almas dos macacos que ousaram vestir as calças do fascismo,
Vomitei os murros e facas que cairam do céu como neve lenta que mata devagar,
e no fim de tudo, a consciência inconsciente delinquente esquizofrénica pseudo-espiritual e oca de uns 80 anos a engolir essências e histórias de morte e vida, não me impede de sorrir.
Vivi o mundo queimado, a arder das e nas almas dos macacos que ousaram vestir as calças do fascismo,
Vomitei os murros e facas que cairam do céu como neve lenta que mata devagar,
e no fim de tudo, a consciência inconsciente delinquente esquizofrénica pseudo-espiritual e oca de uns 80 anos a engolir essências e histórias de morte e vida, não me impede de sorrir.
Um poema sobre a altura das girafas
Deus poderoso e caricatura do Universo, que fornicaste pelas
eras do tempo com a abusada e maltratada Mãe Natureza, trazendo à existência a
aberração colorida num mundo a preto e branco, de pescoço e pescoço e mais
pescoço, elevando-se aos céus acima de todas as outras criaturas que beijam o
chão com vergonha e inveja nas suas desconhecidas almas.
Talvez se sinta sozinho esse Deus, talvez se sinta na necessidade carnal de um amarelo sujo e pernas semi-andantes, atabalhoadas e quebradiças. Mas porquê?
Talvez se sinta sozinho esse Deus, talvez se sinta na necessidade carnal de um amarelo sujo e pernas semi-andantes, atabalhoadas e quebradiças. Mas porquê?
Poema sobre o amor à pátria
Lentamente é elevada aos céus o símbolo que desde criança inocentemente cega me foi queimado nos recantos mais amados do meu ser, um onde tudo é querido e nada questionado.
Lágrimas limpas e fortes caem no chão onde me orgulho sujar, pobre, frio, cansado, mas feliz.
Foge mundo e povo e animal, este sou eu, e assim nós somos.
Lágrimas limpas e fortes caem no chão onde me orgulho sujar, pobre, frio, cansado, mas feliz.
Foge mundo e povo e animal, este sou eu, e assim nós somos.
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